Quarta-feira, Setembro 27, 2006


No meu tempo...

Risos

... Só rindo mesmo...
Passei minha vida toda escutando: Você faz isso??? No meu tempo não era assim... E eu achava um saco ouvir aquilo! Minha vontade era de responder ao povo: Claro, porra, o tempo É OUTRO.
Mas acho que naquela época eu não tinha muita noção do que era tempo. Tempo era hora. Era manhã. Tarde. Era dia seguinte. Era a espera para o fim de semana. Era, no máximo, a expectativa para as próximas férias. Mas sentir o peso real do tempo não. O "peso" não é no sentido de fardo. O "peso" é como uma certeza de que ele "o tempo" existe de fato. E a gente SENTE o tempo. Alguns como peso, outros não. Acho que também isso vai depender sobre qual tempo está sendo sentido. Ou da dimensão que você dá a ele. Sei lá...

E hoje, cá estou, a pensar sobre o tempo. Não como saudosismo. Hoje sinto seu "peso" e percebo bem isso quando converso com meus primos mais novos, especialmente os pré-adolescentes e os adolescentes. E, principalmente, quando converso com minha irmãzinha. Percebam: minha irmãzINHA. Aquele trocinho loiro, lindo, carismático e cheio de personalidade que vi nascer e que hoje já é uma adolescente de quase 14 anos. Mas quando ela deixará de ser minha "inha"? Nunca. E ela continua tudo aquilo que era quando nasceu... só que um pouco mais crescidinha. Dividimos nossas vidas, batemos altos papos, contamos altos bafafás uma pra outra, vivemos morta de saudade por conta da maldita distância física. Nessas conversas, não tem como não soltar aquela velha frase que odiava ouvir na infância. Acredito que eu demonstre isso de uma forma mais sutil e também sem achar um grande absurdo os dias de hoje ou o "meu tempo" mais especial. Em alguns aspectos, devo admitir que acho melhor. E troco o termo "no meu tempo" para "na minha época"... e conto como era mesmo. E rimos horrores com essas diferenças. E, graças a ela, essas diferenças não me causam mais tanto espanto. E nem acabo me comportando como os tios da minha infância. Pelo menos eu acho...

Me corrijam se eu tiver mentindo!



Publicado por Liza em 19:08
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Terça-feira, Setembro 12, 2006


Separação de bens

VOCÊ FICA COM A RAZÃO.
Eu fico com os dias ensandecidos
Com o vento nos seus cabelos
Com o canto final do sol
No dourado da sua pele.

VOCÊ FICA COM A VERDADE.
Eu fico com os raios da lua
Com os sussurros sem nexo
Os beijos loucos, dementes
Com a obsessão dos corpos.

VOCÊ FICA COM O DIREITO.
Eu fico com as horas de gozo
Com o ruído das folhas das árvores
Com seus dedos tecendo anseios
Na brancura do meu corpo.

VOCÊ FICA COM O QUE É CERTO.
Eu fico com a incerteza
Com a beleza do instante sem continuidade
Com o momento perdido entre as horas
Com a eternidade perdida no momento.

Você fica, meu amor.
EU SIGO.

Dalva Agne Lynch (Poema premiado com medalha de prata em concurso na Inglaterra)

Tia Ana me enviou esse poema... lindo... lindo de morrer...
Depois escrevo algo... algo (quase) meu.

Publicado por Liza em 18:03
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