Terça-feira, Agosto 24, 2004
"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio..."- Oswaldo Montenegro
Vivo num completo ócio. Não apenas o ócio físico. Mas ociosa de tudo... numa eterna inércia. Minha vida tá parada. Nada acontece. Ou até acontece, mas dificilmente algo de verdadeiramente bom.
Viajei algumas vezes, matei saudade, me diverti, fiz festa. Mas não me sinto completa. Sempre falta alguma coisa. Nunca estou satisfeita. Me sinto mal por isso. Igrata... Insaciável... Egoísta... Mas porquê? Não sei porque. Isso apenas acontece. Me sinto eternamente em falta com o mundo, com as pessoas que amo, com a vida. Não quero ser cobrada por isso. Não quero ter meus defeitos apontados. Não quero ninguém pra me virar ao avesso. Não quero ninguém que saiba quem realmente sou.
Conviver comigo mesma é difícil. Às vezes canso de mim mesma. Eu me conheço bem, embora não aceite muita coisa do que sou. Conheço minhas falhas e também sei o que tenho de bom. Estar comigo tenho sido um saco. Talvez tudo isso esteja acontecendo por estar nesse ócio. O que fazer qdo se está farta de vc mesma? Qdo tem uma pessoa que te incomoda, vc simplesmente se afasta. Mas como se afastar de si mesma? Não tem como. Vc apenas precisa saber viver com o que vc é, com quem vc é, da melhor maneira possível. Mudando pra melhor. Consertando os erros. Aprendendo com as falhas. Perdoar o outro é mais fácil do que perdoar a si mesmo. Eu não me perdôo por muito do que sou e do fui. Do que fiz e do que faço. Do que errei e continuo a errar.
Pior mesmo é qdo
tentar se torna a parte mais difícil. Exige um esforço sobre-humano... é uma tarefa árdua. Qdo o constrangimento ou a incerteza ocupa todo o seu espaço. A eterna sensação de derrota me corroe por dentro, mesmo não havendo nada... supostamente.
Mesmo com tudo isso, não transpareço todo o tempo. Quase ninguém percebe. Às vezes o que digo e o que faço, é apenas um pedido de socorro. Ainda assim, consigo sorrir sem falsidade, me divertir de verdade, viver o momento com intensidade. Procuro não carregar eternamente todo esse fardo. Eu vivo com isso, mas vivencio pouco. Tento (olha... eu tb tento...) sempre preencher o vazio. Ser leve. Ser
FELIZ...
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Liza
- 03:28
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Segunda-feira, Agosto 23, 2004
Total falta do que fazer...
Faz tempo que não escrevo nada... o pior é que ando no mais completo ócio. A faculdade está em greve e a clínica que eu queria estagiar está lotada e só tem vaga pra outubro ou novembro. Ando sem saco de ir pra academia. Daí passo o dia em casa... acordando tarde, assistindo a Olimpíada, entrando na internet e lendo. Terminei de ler "Olga". O livro é excelente, mas é muito forte. Tem umas cenas que dá vontade de chorar. Virei fã dessa mulher. Agora, estou lendo um livro que minha amiga Thai me deu de aniversário e tb "Coraline", um livro que meu irmão me emprestou.
Assisti "Mulher Gato" sábado. Ouvi falar tão mal desse filme que não fui com grandes expectativas. Não achei tão mal assim. Achei legal! Fui com Márcia (amiga de minha mãe, que virou minha amiga, que é tb minha médica) e Alan (um amigo dela). Depois Marcinha foi encontrar uma amiga dela e Alan me deixou em casa (Tadinho...uma contramão horrorosa pra ir pra minha casa). Em seguida, fui encontrar o pessoal na Fashion. Toda vez que vou naquele lugar prometo não voltar mais. Pouco espaço pra muita gente. Um monte de playboy e patricinha da pior espécie. Fui meio desanimada, sonolenta, afim de um programa mais light. Mas já tinha marcado com o pessoal há muito tempo, prometi que ia e não quis dar bolo. No fim das contas, soube que não teriam se chateado se não tivesse ido, diante das circunstâncias. Já foi. Então,vamos aproveitar, né?! Fizemos o ritual da Tequila e fomos curtir a noite. Rolava uns caras e umas mulheres dançando no palco, simulando stripper. Coisa triste! Mas serviu pra darmos muita risada! Foi divertido! Ainda fomos depois pra o Habibs e cheguei em casa quase de manhã.
Hoje, segunda-feira, passei o dia inteiro de bobeira. Acordei meio dia, assisti as Olimpíadas. Tadinha de Daiane, tava com tanta expectativa... ela saiu do tablado e perdeu muitos pontos, não ganhando nenhuma medalha. Morri de pena!
Detesto postar esses textos em que dou a minha agenda. Acho sempre bobinho, inútil... Depois escrevo algo mais.
Essa foto foi tirada no CCZ de BH, na frente da carrocinha. Olha a nossa cara de protesto...
Ambrósio (Brobró, Bró ou Diego), Marcinha, Lore e eu.
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Liza
- 20:19
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Quarta-feira, Agosto 11, 2004
Ainda lembro daqueles olhos tristes...
... e como lembro. Era uma manhã de sol, porém fria. Saí de casa feliz (apesar do sono), na intenção de aprender algo novo. Depois de assistir uma aula bem legal e de um lanchinho, fomos conhecer as instalações do local.
Havia grades. Criaturinhas desesperadas do lado de dentro. Eles brigando uns com os outros. Outros no canto, num pedacinho de sol, mas ainda assim tremiam indefesos. Outros, de pé, encostando os rostinhos na grade na esperança de receber um carinho. Outros, apenas olhavam. Um olhar triste. Um olhar de quem sabia do que estava por vir. Eram seres de todos os tamanhos, sexo, idade, cor, raça. Uns magros, outros não. Uns saudáveis, outros não. Uns obstinados, outros não. Havia muitas diferenças, porém uma única coisa em comum: a tristeza. Aperto no coração. Ao ver toda aquela cena, havia uma pessoa explicando tudo que eles fazem com aquelas "coisas". Com riqueza de detalhes. Eu, incansavelmente, questionava tudo. Mas sempre havia uma resposta pronta, ensaiada. Continuamos passando por outras jaulas. Mais criaturas na mesma situação. E aquele cidadão não parava de falar. E eu de questionar... e de tentar engolir o choro. Pra cada "coisinha" que eu olhava, tinha vontade de chorar. De abrir a cela e devolvê-los a liberdade.
Eis que chega um carro às pressas. Saem dois homens de dentro, abrem o fundo da caminhonete e as "coisas" são arrastadas, presas pelo pescoço e, literalmente, jogadas na jaula. Aqueles estavam destinados à crueldade se sequer se darem conta do porque. Naquela jaula havia uma placa: "Suspeitos de Leishimaniose". SUSPEITOS. Confirmados ou não, eles já tinham o destino garantido.
Cansei de ouvir toda aquela ladainha. Cansei de ver aquilo tudo. Me afastei e abracei minha amiga que já tinha feito o mesmo.
Pra mim, aquele local é o próprio inferno. É sombrio. É triste. É deprimente. Não pretendo mais pisar num lugar daquele. A menos que eu seja obrigada ou pra mudar aquela realidade. O lugar é o
CCZ - Centro de Controle de Zoonoses. É o lugar em que se mata cães diariamente. Doentes ou não. Suspeitos ou não. Apenas por eles não terem um lar. Não ter ninguém que possa cuidar deles. Imaginem só se fossem crianças órfãs. A situação não é muito diferente. Então, para não ter gastos, acabar com a pobreza do mundo ou com a possibilidade de transmissão de doenças a pessoas que tenha tudo isso que todos gostariam de ter, vamos sacrificar todas as crianças sem pais ou sem amor. Vamos chegar nos orfanatos, arrastar todas elas à força e joga-las no fundo de uma caminhonete, para depois serem jogadas, arrastadas pelo pescoço, em celas imundas (com ração e água disponíveis), para que, após três dias de confinamento, elas sejam jogadas em câmeras de gás e para depois descartar as carcaças sabe Deus onde.
Tudo isso que acabei de dizer é cruel. É absurdo. É contra lei. Mas pq não existe essas leis para os animais? Trinta anos se passaram e, até hoje, a carrocinha e a eutanásia de animais sadios são a melhor maneira de controlar as doenças comuns a pessoas e animais.
Até quando...?
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Liza
- 19:25
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Terça-feira, Agosto 03, 2004
Gente chique é outra coisa!!!
Estou aqui em BH, numa Mc Donald's, acessando a internet gratuitamente! Só tenho quinze minutos, por isso, será uma postagem ultra-mega-rápida!
A viagem está sendo ótima e o congresso tb tá MUITO bom. Temas legais, pessoas legais... Não vou negar, estou hiper cansada! Mas tá valendo muito a pena. Tenho me divertido horrores, conhecido gente nova, aprendido bastante. Até agora, o assunto principal tem sido a política dentro da medicina veterinária. Sempre no final das palestras, nós podemos fazer perguntas, expor nossas opiniões e, no fim da tarde, tem o grupo de discussão, para assim, debatermos o assunto tratado pela manhã, num grupo menor. Bem legal mesmo...
Tô doentinha... hoje nem pude participar do grupo à tarde. Tô com um pouco de febre, dor de garganta e dor de cabeça. Mas não é sério, não é nada insuportável. Tanto que estou aqui hj, né?! Mas acredito que vá melhorar. Quanto ao frio, tá suportável. Achei que fosse sofrer como São Paulo, mas como sou UMA PESSOA VIAJADA, já estou super adaptada ao frio (quem vê assim pensa...). Só o primeiro dia que estava frio e no dia da minha super febre. O que dói mesmo são minhas pernas... nossa, minha batata e minha articulação do pé, tá um horror. Tb, andamos MUITO, todos os dias. Uma tortura...
Por hj é só. Vou ficando por aqui, pois meu jantar já foi liberado.
Estou com saudade!!!
Ma: Uma pena que não vai dar pra ir pra aí. Não tenho dinheiro e não posso perder o congresso. Espero vê-la em breve! Estou feliz por vcs, viu?! Te amo!
Clauzinha: Como vc pôde ver, estou aproveitando bem. Saudade! Amo você!
Beijos!!!
PS.: Meu tempo acabou e não corrigi. Perdoem os erros...
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Liza
- 20:34
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